Projecto de Rede / Comunidade de Prática Ibero Americana
de Educadores de Infância


CoP

(Entre outros países Ibero-Americanos)

Investigadores Responsáveis:

Maribel Santos Miranda – Doutoranda IEC/Universidade do Minho

António José Osório – Orientador IEC/Universidade do Minho

Este projecto está a ser desenvolvido no âmbito do doutoramento em Estudos da Criança na Área de Conhecimento de Tecnologias da Informação e Comunicação, no Instituto de Estudos da Criança, na Universidade do Minho. É financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

  • Quem irá integrar e coordenar esta Comunidade de Prática?

     

Profissionais de Educação de Infância (educadores, docentes do ensino superior e investigadores) de países Ibero-Americanos.

  • Como se torna possível participar uma Comunidade de Prática?

Para além das práticas educativas desenvolvidas num espaço físico específico, os profissionais da Educação de Infância poderão integrar uma comunidade virtual. o Objectivo é permitir a cooperação, colaboração, interacção, comunicação e partilha ideias sobre as práticas educativas; independentemente da sua localização física e com recurso à Internet.

  • Porquê uma Comunidade de Prática para Educadores de Infância?

Motivar e promover o desenvolvimento de contextos educativos ricos, com experiências significativas, designadamente, para as crianças a nível do processo de ensino-aprendizagem com recurso às tecnologias de informação e comunicação (TIC).

Objectivos

  • Desenhar e conceber uma Comunidade de Prática Online;
  • Desenvolver e dinamizar a comunidade;
  • Fomentar a interacção na comunidade promovendo situações de trabalho colaborativo;
  • Promover a utilização das TIC em contexto de jardim-de-infância;
  • Identificar os diferentes níveis de participação dos membros da comunidade;
  • Reconhecer e definir competências de um líder de uma comunidade de prática online.
Requisitos Necessários para a Participação na Comunidade
de Educadores de Infância

  • Ser Educador de Infância, estagiário de educação de infância, investigador ou docente do ensino superior da área de educação de infância e exercer uma actividade profissional relacionada com esta área (colégios, jardim-de-infância públicos, IPSS, ATL, Universidades, outros);
  • Ter acesso a um computador com ligação à Internet na sala/instituição ou em casa;
  • Possuir uma conta de correio electrónico (e-mail), caso não tenha uma, por favor contactar através do telemóvel para este efeito 00351-912299725 ;
  • O link para a comunidade é http://arcacomum.nonio.uminho.pt/;
  • O registo pode ser efectuado pelo próprio educador/docente ou pedido através do e-mail.

Observações

  • A comunidade teve início no dia 18 de Setembro de 2006;
 
  • Já existe um documento (em fase de construção e em permanente actualização) com algumas orientações sobre a utilização da plataforma, disponível num fórum @rca das Dúvidas, em português e brevemente será disponibilizado em Espanhol;
Caso esteja interessado em participar pode contactar-me através do e-mail (arcacomum@iec.uminho.pt ou maribel.miranda@gmail.com) ou por telefone: 00351 - 912299725 com os seguintes dados: Nome Completo; País/Cidade; Jardim-de-infância/Instituição onde Trabalha; Idade das Crianças; o seu e-mail ou outro contacto.


Referências Teóricas

Projecto de Rede Ibero Americana de Educadores de Infância


O projecto que envolve toda esta investigação sobre as Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação visa a concepção e desenvolvimento, de uma comunidade de pratica[1] virtual Ibero Americana de Educadores de Infância
.

Pretendemos a integração das TIC no jardim-de-infância de forma a contrariar tendências generalistas que pressupõem que os educadores de infância são aqueles quem menos utilizam as tecnologias, bem como descuram a formação contínua nesta área. Segundo
(Ponte 2000) “as novas tecnologias surgem aqui como instrumentos para serem usados livre e criativamente por professores e alunos, na realização das actividades mais diversas. Esta perspectiva é, de longe, mais interessante que as anteriores na medida em que pode ser enquadradas numa lógica de trabalho de projecto, possibilitando um claro protagonismo do aluno na aprendizagem” (pp. 73).

 
É nossa intenção promover situações de trabalho colaborativo entre educadores de infância, onde a comunidade funciona como ponto de encontro, de comunicação, de debate, partilha de ideias, cooperação, colaboração, reflexão e convivência, dando lugar a futuras práticas diversificadas em contexto de sala de jardim-de-infância, influenciadas pela diversidade das experiências alcançadas dos educadores e crianças na rede. Privilegiamos, nesta comunidade a dimensão comunicativa e prevemos que a plataforma possua as ferramentas de comunicação necessárias para este efeito. Todavia, pretendemos que este se torne um espaço agradável e o mais intuitivo possível, de forma, a integrar os educadores mais facilmente na utilização dos recursos tecnológicos.

A riqueza desta experiência prende-se com a participação de educadores de infância de vários países da América Latina, Espanha e Portugal. Em Portugal contamos com a participação de educadores de dois distritos: Braga por ser a cidade onde está a ser desenvolvido este projecto, porque está localizada no norte do país e possui características geográficas e culturais seculares de extrema relevância; Aveiro que, por oposição, é uma cidade no Centro-Litoral cuja caracterização geográfica e cultural é diversificada tornando-se assim, duas cidades com experiências riquíssimas para o desenvolvimento do presente projecto. Contamos ainda, com a participação de Espanha e de países da América Latina como: México, Venezuela, Uruguai, Nicarágua, Argentina, Peru, República Dominicana, Equador, Brasil entre outros.

O carácter virtual desta comunidade, sustentada pela Internet e com uma plataforma concebida para o efeito, irá permitir que o encontro entre os educadores de diferentes países seja facilitado, constituindo-se como um ultrapassar das barreiras físico-temporais que os separam.

Antevemos que, será uma experiência difícil, mas muito vantajosa, na coordenação e motivação dos educadores na construção de uma prática conjunta. Os maiores entraves e desafios que se colocam aos educadores na participação são, na nossa perspectiva, Preconceitos face à integração das TIC; o Acesso aos recursos tecnológicos (TIC); Reacção/resistência face às TIC; Formação e Adaptação; Adaptação ao Ambiente Virtual (plataforma) e a própria Disponibilidade dos Educadores que, para além das suas actividades do dia a dia, poderão participar nesta comunidade. Contudo, o nosso apoio, disponibilização de formação e entreajuda serão uma constante ao longo de todas as fases. Para além do tempo projectado para efeitos de estudo é de nosso interesse que a comunidade continue após o ano lectivo que prevemos para a investigação.

O importante desta participação será perspectivar a comunidade, como um lugar onde se possa deixar um testemunho sobre como é o dia a dia no jardim‑de‑infância, as actividades, informações relevantes sobre a educação pré-escolar, entre outros, e não apenas como um repositório de informação onde não exista o intercambio e a comunicação. Apesar das diferenças linguísticas dos países que integram este projecto, as semelhanças são algumas e facilmente as dificuldades podem ser diluídas, constituindo-se como uma riqueza e não um entrave à comunicação.

 

Desenho de Recursos de Suporte à Comunidade de Prática

 

Desde o projectar, passando pela concepção e até o seu desenvolvimento, a Comunidade de Prática Ibero Americana de Educadores de Infância referida neste texto, deve enquadrar-se numa perspectiva que vá ao encontro dos interesses dos seus intervenientes. A comunidade de prática pretende ter o seu início em Setembro de 2006 e alguns contactos já foram estabelecidos para este efeito. A plataforma que utilizamos para esta comunidade foi a Moodle e está alojada num servidor da Universidade do Minho que pode ser visitada no endereço http://arcacomum.nonio.uminho.pt. Esta comunidade é designada por @rcaComum e o seu acesso é restrito a educadores, docentes da formação de educadores e investigadores na área da educação de infância.

A concepção desta comunidade na plataforma Moodle tem vindo a colocar-nos alguns desafios no que diz respeito a adequar os recursos que esta disponibiliza, de forma a criar uma efectiva comunidade de prática. Esta comunidade está a ser desenvolvida para um público-alvo essencialmente de educadores de infância, em que as tecnologias ainda ocupam um lugar muito distante na prática pedagógica, neste nível de educação.

Um dos pontos essenciais que foram tidos em conta na concepção deste ambiente virtual prende-se com o carácter linguístico, dado que, esta comunidade irá ser integrada por educadores de países Ibero-americanos, cujas línguas oficiais são o português e espanhol. Para este efeito foram instalados na plataforma Moodle os pacotes de línguas de português, espanhol e inglês de forma a permitir o acesso a um público mais alargado.

O aspecto gráfico desenhado para esta comunidade, bem como o nome escolhido @rcaComum tencionam criar um ambiente agradável e convidativo a ser explorado por parte dos utilizadores. Os ícones utilizados para a identificação das ferramentas de comunicação como os fóruns e Chat são suficientemente esclarecedores do que elas oferecem, para além de ser sempre acompanhadas por um pequeno texto descritivo. Uma das características essenciais desta comunidade é que os recursos disponibilizados vão ao encontro da prática pedagógica nos jardins-de-infância e da necessidade que os educadores têm de debater as várias áreas de conteúdo definidas pelas Orientações Curriculares, que são trabalhadas no dia a dia. Para este efeito a comunidade @rcaComum disponibiliza diversos fóruns de discussão como: @rca das Ciências; @rca da Matemática; @rca da Música; @rca da Expressões Artísticas; @rca das Actividades Motoras; @rca da Saúde e Alimentação; @rca das Tecnologias; @rca de Lazer, para além de um fórum designado por @rca Diversa e outro por @rca das Dúvidas.

O Chat é uma ferramenta de comunicação que irá ser explorada de forma livre pelos membros da comunidade, sejam eles educadores, investigadores ou docentes. Todavia uma das formas de dinamizar a comunidade será a marcação prévia de sessões de Chat temáticas que sejam actuais e de interesse na Educação de Infância.

As pastas de recursos apresentam ícones semelhantes aos das próprias pastas do Windows, que identificam um lugar onde podem ser arquivados ficheiros. A informação que é submetida nesta pasta de recursos rege-se pelas Orientações Curriculares à semelhança dos fóruns de discussão. Nesta pasta, para além das várias áreas de conteúdo disponibilizadas existem sub-pastas destinadas a cada país que integra a comunidade, por exemplo, Portugal, Espanha, Brasil, Venezuela, México, República Dominicana, entre outros, onde são inseridos documentos relacionados com a legislação de cada país ao nível da educação pré-escolar. Para além das características enunciadas anteriormente, a plataforma disponibiliza inúmeros componentes que podem vir a ser introduzidos sempre que se justificar ou os educadores demonstrem vontade de os integrar.

A @rcaComum foi assim designada de forma a criar a noção de um lugar, onde os educadores, investigadores e docentes da área da educação de infância pudessem encontrar um apoio à prática pedagógica e um lugar de debate, comunicação e partilha, independentemente das barreiras físico-temporais e linguísticas.

As características que foram até aqui apresentadas surgiram das ideias debatidas num Focus Group (metodologia adoptada neste projecto de investigação) que tivemos a oportunidade de realizar em Maio de 2006. Convidamos profissionais da Educação de Infância, investigadores na área das Ciências da Educação e investigadores da área das TIC no sentido de partilhar este projecto e receber algum feedback sobre as ideias apresentadas. No projectar da estrutura da comunidade surgiram os seguintes pontos:

  • Possibilitar a criação de diferentes tipos de utilizadores:

o administrador (de conteúdos e gestor da própria estrutura da comunidade). Nesta comunidade este papel será assumido pelos investigadores responsáveis;

o coordenador (um utilizador com mais permissões de forma a ajudar na gestão de conteúdos e do grupo). Este papel será atribuído a quem demonstrar interesse ou se disponibilizar para colaborar de uma forma mais dinâmica, isto é, um possível educador líder/coordenador da comunidade;

o educador (um utilizador com permissões para utilizar as ferramentas de comunicação e disponibilizar conteúdos);

o visitante (terá acesso a algumas partes da comunidade e possibilidade de se registar como membro Educador).

  • Facilitar a comunicação síncrona (chat) e assíncrona (e-mail; mensagens internas e fóruns temáticos e gerais);
  • Permitir a disponibilização de ficheiros de vários formatos (pdf; doc; xls; ppt; jpg; gif; bmp; mpeg; wmv; wav; mp3; entre outros);
  • Ter a possibilidade de um registo online para futuros membros, através de um formulário, com posterior aprovação por parte do administrador;
  • Possibilitar a criação de vários recursos pertinentes e de interesse para os educadores, como o Álbum de Fotos.
  • Permitir que a estrutura da comunidade possa ser traduzida em português, em espanhol e inglês, de modo a facilitar a pesquisa e a oferecer um ambiente mais acolhedor, perceptível, hospitaleiro e simpático para quem entra pela primeira vez na comunidade.

A estrutura do que projectamos como recursos a integrar na comunidade, não é definitiva. Prevemos que algumas alterações sejam efectuadas. Estes e outros aspectos estão a ser equacionados desde o início, podendo sempre sofrer alterações e melhorias durante o seu desenvolvimento.

 

Referências:

[1] , Ediciones Morata, S.L. (2002).

[6] Papert, S. Logo: Computadores e educação. São Paulo, Brasiliense. (1985).

[7] Papert, S. A Família em Rede. Lisboa, Relógio d'Água. (1997).

[8] Papert, S., Ed. Logo Philosophy and Implementation. Montreal, Logo Computer Systems Inc. (2005).Lisboa, Relógio D'Água. (1997).

[13]Wenger, E. Communities of Practice - Learning, meaning, and identity. Cambridge, Cambridge University Press. (1998).

[14]Wenger, E. Entrevista. P. KMOL, http://www.kmol.online.pt/pessoas/WengerE/entrev_1.html. Acedido em 23 de Abril de 2005. (2001).



[1] Wenger e Lave em 1991 designaram como Comunidades de Prática um conjunto de indivíduos com características semelhantes, que se juntam para debater, partilhar, aprender, trabalhar na tentativa de atingir um objectivo comum. Pressupomos que as comunidades de prática nascem de uma forma espontânea, do ideal de um conjunto de pessoas que se reúne para terem o seu próprio espaço, onde a troca de informação é o interesse fundamental.Na perspectiva de Wenger, E. (1998). Communities of Practice - Learning, meaning, and identity. Cambridge, Cambridge University Press.
 , “we all belong to communities of practice. At home, at work, at school, in our hobbies – we belong to several communities of practice at any given time. And the communities of practice are everywhere. (…) Communities of practice are an integral part of our daily lives.(…)” (pp.6-7).

Última alteração: Quarta, 17 Setembro 2008, 11:44


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